“Ainda sim, conheço alguns rostos que tenho,
mas não, nunca meu rosto — o verdadeiro.”

Assim que bati meus olhos nesses versos, lembrei dum poema da Gilka Machado que tanto amo:

O RETRATO FIEL

“Não creias nos meus retratos,
nenhum deles me revela,
ai, não me julgues assim!

Minha cara verdadeira
fugiu às penas do corpo,
ficou isenta da vida.

Toda minha faceirice
e minha vaidade toda
estão na sonora face;

naquela que não foi vista
e que paira, levitando,
em meio a um mundo de cegos.

Os meus retratos são vários
e neles não terás nunca
o meu rosto de poesia.

Não olhes os meus retratos,
nem me suponhas em mim.”

Lindo poema, Iogo.

eis o pandemônio duma mente devorando prudências. [ instagram.com/poxaberto ]

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