Até os piores seres humanos possuem o tal do lirismo. Para contornar algo prejudicial, conquistar alguém ou enfeitar o próprio ser para se conseguir algo maior. Um lirismo que pode soar falso, mas que não deixa de sê-lo.

Seu texto estava salvo nos “bookmarks” há um tempo e me arrependo de não tê-lo lido antes. O lirismo obsessivo recria a realidade. O lirismo, apenas, só fala do Eu que sente. Mas o lirismo obesessivo é o que lhe fornece os binóculos para que possa enxergá-lo atentamente. É o que lhe permite não só se colocar no outro, mas enxergar imensamente o que o outro sente. É quando sua alma não é tão somente sua, mas dele e do outro. O lirismo obsessivo nos permite ser vários em um corpo só.

Para mim, quem convive com essa obsessão é um amaldiçoado. Quando um poeta se diz poeta, é porque ele descobriu que nunca se livrará do olhar e pensamento atentos sobre todas as coisas. Mas é um amaldiçoado sensível que expõe as mazelas do mundo. E que, como recompensa, só tem a palavra edificada sobre a palavra. Lapidadas. Monumentais. E o lirismo não só é a matéria-prima, mas também o produto final.

Enfim, acho que me empolguei. Ótimo texto, Santos. Despertador de reflexões e cheio de lirismo.

eis o pandemônio duma mente devorando prudências. [ instagram.com/poxaberto ]

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