o cheiro das castanhas mortas

Arte por Kishor Govilkar

já tivemos o bastante do mundo?
e o instante de uma folha despencada?
não asserto: são os rígidos gritos
ou sussurros sorrateiros que
arrebentam a linha do destino?

eis que aqui há tanto de um mistério
e corredores e labirintos escuros
ora, eu nem me perco, eu sorrio
rastejo assim no verde escuro
respirando como uma vez primeira
olha que há também aqui incertezas:

as águas das nascentes repousam
no desconcerto dos mananciais
há o cheiro das castanhas mortas
e alísios soprando coqueirais
que óbito, que cinza fúnebre
sentida: vestida de um colorido quadro
o oceano gelado, sagrado e sacro
e o menino das matas:
mestiço puro caçando impurezas

para cada sopro no mundo, um vento
para cada vento, um momento:
sangue, sol, castidade, carnaval
para cada momento, um olhar:
transfiguração de uma morte vivíssima
duas águias, arrebóis, buracos negros
e o fim do cosmo estampado
na luz última que banha lenta
a transa dos galhos sombreando
pequenos ventos aos ouvidos:
gemidos, pedidos… ou só silêncio?

eis que aqui há tanto de um mistério
que me é pavoroso; deveras delicioso…

eis o pandemônio duma mente devorando prudências. [ instagram.com/poxaberto ]

eis o pandemônio duma mente devorando prudências. [ instagram.com/poxaberto ]